“Repudiam dread, preto, arte, gay e trans, beck
Moça, pobre, camelô, índio, nóis é flex”.

Hot e Oreia, atualmente formam uma dupla no Rap, que surgiu de um grupo chamado DV Tribo, de onde Djonga também veio. Ambos representam BH no cenário do rap atual. Eu Vou, lançado em 2019, faz grandes críticas a padrões e à política brasileira.

Hot, Djonga e Oreia.

“Não gostam de pessoas, só de branco nerd”.

Já nos primeiros versos, Oreia, faz um crìtica àquilo que a sociedade consume diariamente, e que quase sempre, vem de um padrão imposto, sendo que às vezes, por mais que pessoas dos grupos de minoria façam o mesmo trabalham, não aceitam, pois não aceitam sua personalidade, e muito menos sua representatividade. Mostra como a mídia, sempre é influenciada pelo racismo, que fica muito aparente, pois nunca vimos produtos vindo de pessoas pretas com bons olhares. Um exemplo disso é a música, que nunca foi bem aceita, ou as religiões de origem africanas, que são tratadas com desprezo e piada.

“Disseminando o ódio, coitado do primo preto
Fake news e zap zap, vicia que nem baque
Cê tá possuído, pelo KKK-crack”.

As Fakes News, ficaram famosas, principalmente no ano de eleição. Geralmente, essas falsas notícias, disseminam o ódio, e tentam apagar uma história da minoria. KKK-crack, faz uma referência ao grupo KLU KLUX KLAN, grupo americano, onde promove ataques, e crimes a pessoas com a pele preta. Não muito diferente daquilo que tomou proporções através do Whatsapp.

“Deus acima de tudo, Deus acima de todos
Acima de todos mesmo, pisando na cabeça
Esmagando”.

Aqui a crítica está direcionada ao atual presidente, pois o mesmo, durante a sua campanha eleitoral usou esse slogan. Oreia, tenta passar uma visão, de que, o governo não é para todos, e sim, para quem eles querem que sejam atingidos. A população de minorias, foram constantemente atacadas, e perseguidas durante o processo eleitoral. Quando Oreia fala de esmagar a cabeça, seria, uma forma de dizer que, essas pessoas, não tem voz ativa no país, não são escutadas, não são representadas, e são negligenciadas, pois ninguém tenta olhar para eles, e mudar suas situações. Ao contrário disso, a desigualdade social, vem aumentando, provando que essas pessoas são esquecidas.

“Cê tá enganado falando de família”.

Hot, tenta passar uma visão diferente aquilo que a sociedade brasileira entende por família. Muitos, acreditam que família, significa, pai, mãe e filhos. Porém, nem todas as famílias são assim, e que mesmo diferentes, apresentam muito amor, pois esse sim, é o real significado de família. O Brasil, que é um pais tão grande, e que é devia ser celebrada sua diversidade, são motivos para ódio e ofensas.

“Ignoram verdades e aplaudem mentiras
Imagino o Djonga, Jesus de disfarçado
O tempo tá uma bagunça, por isso só mostro a ira”.

Nos versos de Djonga, que muitas vezes é contestado do porque está sempre fazendo críticas em suas músicas, mostra que essas críticas são necessárias. O atual momento que vivemos, não podemos se calar, e muito menos deixar se esquecer. Djonga, que é porta voz de muitos, se sente no dever de levar essas visões ao topo, pois ele tem visibilidade, coisa que muitos, que são do mesmo lugar que ele, não conseguiram.

“O povo alimentado saiu da caverna
Enxergou a luz e atacaram os poderosos”.

Em referência à caverna, criado pelo filosofo Platão, que fala sobre pessoas que vivem na escuridão, e não conseguem sair dela, pois são manipuladas. Encontram a luz, aquilo que deve ser o conhecimento, a sabedoria. Quando tomamos conta daquilo que acontecem entorno de nós, devemos falar e criticar o que está errado, pois somente assim, irá gerar uma mudança.

Os artistas podem serem encontrados em suas redes sociais: @hoteoreia e @djongador.